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O tambaqui (Colossoma macropomum, o nome científico do peixe) é um dos maiores peixes de escama da Amazônia, menor só que o pirarucu. Adulto e solto no rio, passa de 1 metro de comprimento e chega a 30 quilos. Na mesa de Manaus, é o peixe de domingo, assado inteiro, em banda ou em costela.
O PEIXE DAS FRUTAS
Na cheia, os rios amazônicos sobem vários metros e invadem a mata. O tambaqui entra nessa floresta inundada, o igapó (a mata alagada pela água escura dos rios), e passa meses comendo frutos e sementes caídos das árvores, como os da seringueira e do jauari, uma palmeira da beira d'água.
Os dentes dele são largos, parecidos com molares de gente, e quebram caroço duro. Nesse tempo de fartura, o peixe acumula gordura no corpo como reserva pra seca, quando os rios baixam, a mata fica no seco e a comida some. Boa parte dessa reserva fica na barriga, envolvendo as costelas.
O CORTE DA COSTELA
A costela sai da barriga do tambaqui, logo atrás da cabeça. O peixeiro abre o peixe, separa o lombo de cima e corta a parte de baixo em faixas atravessadas. Cada faixa leva várias costelas curvas presas à carne, com a pele de um lado.
Nas bancas da Feira Manaus Moderna e do Mercado Adolpho Lisboa, a medida comum é a posta de dois dedos, uns 4 centímetros de altura. Mais fina, ela seca sem dar tempo à crosta. Mais grossa, o centro demora e a borda passa do ponto.
O ESPINHO E O OSSO
Os ossos da costela são largos, fáceis de ver e de tirar com o garfo no prato. A carne da barriga tem poucas espinhas soltas, ao contrário do jaraqui, outro peixe da feira, famoso pelas espinhas finas espalhadas no lombo.
Na grelha, as costelas fazem um serviço duplo. Elas seguram a posta inteira quando a carne amolece com o calor e criam uma camada entre o carvão e a carne, que recebe a brasa mais devagar.
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Na costela de tambaqui, a gordura da cheia vira o óleo da brasa.
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O tambaqui das bancas vem quase todo de criação, em tanques de Rondônia, Roraima e do próprio Amazonas, alimentado com ração. O peixe de tanque costuma sair mais gordo e mais regular no tamanho do que o de rio, e as postas assam no mesmo tempo.
Escolha a costela pela cor: carne rosada clara, gordura branca ou levemente amarelada brilhando entre os ossos e pele escura e firme. Cheiro forte ou carne acinzentada indicam peixe parado há dias no gelo; nesse caso, troque de banca.
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A costela de tambaqui pede pouco. A gordura já traz sabor, e tempero demais cobre o gosto do peixe. A preparação cuida de quatro pontos: a pele seca, o sal na hora certa, a grade untada e a brasa formada.
A PELE SECA
Tire a costela da geladeira 20 minutos antes da grade. Seque a pele e a carne com papel-toalha, apertando de leve, até o papel sair sem marca molhada. Água na superfície vira vapor no calor, e o vapor cozinha a pele sem tostar.
Se a costela veio com escama, peça ao peixeiro pra tirar ainda na banca. Escama na brasa endurece, solta em placas e gruda no dente de quem come.
O SAL E O LIMÃO
Em Manaus, o tempero clássico da costela é sal grosso e limão. Esprema meio limão sobre a carne, espalhe com a mão e deixe 10 minutos, não mais. O ácido começa a firmar a superfície do peixe, como no ceviche (o peixe cru curtido no limão), e tempo longo deixa a carne esbranquiçada e farinhenta.
Jogue o sal grosso na hora de ir pra grade, uma colher de sopa rasa por quilo, nas duas faces. Sal posto cedo puxa água pra fora e molha de novo a pele seca com tanto cuidado.
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Pele seca, sal na hora e meio limão bastam pra costela.
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A GRADE UNTADA
Raspe a grade com escova de aço e passe pelas barras um pano dobrado e embebido em óleo, preso na pinça. Peixe gruda em ferro sujo e em ferro frio. Com as barras limpas, quentes e untadas, a pele marca e solta sozinha.
Prefira a grade de barras grossas à grelha de arame fino. A barra grossa guarda calor e marca a carne; o arame fino corta a pele na hora de virar. Quem tem grelha dupla (a grade de duas faces presa por dobradiça) pode usar: ela vira a posta inteira sem a pinça tocar na carne.
A BRASA DO PEIXE
Peixe pede brasa formada, com o carvão todo coberto de cinza clara e sem chama. Espalhe o carvão numa camada uniforme sob a área das postas e deixe um canto da churrasqueira sem carvão, pra socorrer alguma posta que dourar rápido demais.
Os 2 quilos de carvão bastam pra até quatro postas. Pra mais peixe, aumente a camada pelas bordas, nunca empilhando brasa no centro: carvão alto concentra o calor num ponto e queima a pele da posta de cima.
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