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Todo óleo de cozinha é feito de cadeias de gordura presas a uma molécula chamada glicerol (um álcool simples que serve de esqueleto pra três dessas cadeias). Enquanto a temperatura fica baixa, o conjunto se mantém inteiro, e o óleo só esquenta e brilha.
Quando o calor passa de certo limite, as cadeias começam a se soltar do glicerol. O glicerol solto se quebra outra vez e vira acroleína (uma substância irritante, de cheiro acre, que arde nos olhos e amarga na língua). A fumaça azulada sobre a grade é a acroleína subindo junto com pedaços de gordura queimada.
O QUE ACENDE O AZEITE PRIMEIRO
O azeite extravirgem sai da azeitona só espremido, sem calor e sem química, e carrega junto os ácidos graxos livres (pedaços de gordura já soltos do glicerol), traços de água, partículas da polpa e os polifenóis (compostos da fruta responsáveis pelo ardido na garganta).
Esses passageiros queimam antes da gordura principal. Os ácidos graxos livres, em especial, puxam o ponto de fumaça pra baixo: quanto mais deles no óleo, mais cedo a fumaça aparece. Daí os 190 graus do extravirgem, contra os 220 ou mais dos óleos refinados.
O azeite comum, vendido só como “azeite de oliva”, sem o “extravirgem” no rótulo, leva uma parte de azeite refinado e fuma mais tarde. Mesmo assim, perde o perfume no calor e custa bem mais do que o óleo de soja pra fazer o mesmo serviço na grade.
POR QUE A CARNE AMARGA
Na barra a 250 graus, o azeite extravirgem passa do ponto de fumaça no primeiro contato. Os polifenóis torram, a acroleína se forma, e uma camada fina de gordura queimada fica colada no ferro.
A carne encosta exatamente nessa camada. A face destinada à crosta dourada da reação de Maillard (o escurecimento que cria sabor tostado na superfície) pega também o resíduo amargo. Quem prova sente gosto de queimado numa carne que ainda está rosada por dentro.
Há um segundo problema. A gordura queimada acima do ponto de fumaça vira uma goma pegajosa, e essa goma prende a carne na barra, quando deveria soltar. O garfo puxa, a crosta rasga e fica grudada no ferro.
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O azeite extravirgem queima na grade antes de a carne encostar, e a carne herda o amargo.
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O sinal de alerta é visual. Fumaça azulada e contínua saindo da grade untada, com a carne ainda na tábua, avisa que o óleo passou do limite. Um fio branco e rápido, que some em segundos, é só a água do óleo evaporando, sem dano nenhum.
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