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O pupunha sai de uma palmeira amazônica, a pupunheira (Bactris gasipaes, o nome científico da planta). Os povos indígenas da Amazônia cultivam essa palmeira há milhares de anos, sobretudo pelo fruto, um coquinho alaranjado que se come cozido com sal.
O palmito é o miolo macio do topo do caule, a parte onde as folhas novas se formam. Em toda palmeira, é dali que sai o crescimento. Tirar o palmito significa cortar o caule.
Em volta desse miolo há camadas de bainhas mais duras, que protegem o broto. Na colheita, o produtor tira as camadas externas e deixa o cilindro macio com uma ou duas capas, que seguram a umidade até chegar à banca.
O TRONCO QUE VOLTA
Na juçara, a palmeira da Mata Atlântica de onde vinha boa parte do palmito de vidro, o corte acaba com a planta. Ela tem um caule só, e sem o topo não rebrota. A extração clandestina levou a juçara à lista das espécies ameaçadas.
A pupunheira cresce em touceira. Da mesma base saem vários caules, e quando um deles é cortado, os vizinhos seguem crescendo e novos brotos aparecem. A mesma planta dá palmito por anos, colheita após colheita.
Há também uma diferença de tempo. A juçara leva de 8 a 10 anos pra ter palmito de corte. A pupunheira chega ao ponto em menos de 2, e a touceira produz de novo a cada ano.
Por esse motivo, o pupunha virou o palmito de lavoura no Brasil. O Vale do Ribeira, em São Paulo, e plantios no Espírito Santo, na Bahia e no Paraná abastecem o mercado. O primeiro corte sai cerca de 18 meses depois do plantio.
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O pupunha vai à brasa pra ganhar marca: cozinhar ele não precisa.
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POR QUE ELE NÃO ESCURECE
Corte um palmito de juçara fresco e ele escurece em minutos, como maçã mordida. Por esse motivo o palmito tradicional sempre foi vendido em conserva, cozido e mergulhado em salmoura ácida.
O pupunha escurece muito devagar depois do corte. Ele pode ser vendido fresco, embalado a vácuo ou em filme, e comido cru, em lâminas finas, como carpaccio. A conserva ficou opcional.
Ele também tem mais açúcar natural e menos fibra dura do tipo do vidro. Na grelha, esse açúcar ajuda a marca a escurecer rápido, em poucos minutos, sem precisar de calor longo.
COMO ESCOLHER
Prefira o tolete fresco, de supermercado ou feira, guardado na parte refrigerada. A ponta cortada deve estar úmida e clara, sem manchas amareladas nem cheiro azedo. Aperte com o dedo: firme, sem ceder.
O palmito pupunha em conserva também vai à grelha, mas chega mole e salgado, e a lâmina quebra ao virar. Pra brasa, o fresco rende muito mais.
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